6 de fev de 2009

sobre a arte de ensaiar sozinho

Nao deve-se impor nada, seria insanidade e imprudência. Permita a vontade da falar aquelas palavras chegar. Enquanto isso, vá brincando de descobrir um esconderijo novo na sala ou de cantar músicas que enalteçam a alma. Colabore para que esse estado chegue, como nos rituais religiosos. Esgarce a alma – cheia de coisas – processos infindáveis. Beba o café. E agora, lembro-me, essa parte da suruba, do texto, eu adoro fazê-la. ´E mais ou menos assim, pronto comecei, agora vou até o fim.
A Sra Mnouchkine diz que o teatro é um raro pássaro, que pousa em nossos ombros, pela primeira vez e, quando vamos tentar capturá-lo, já se foi, o invisível.
A expressão brasileira “dar tempo ao tempo”, deveria ser levada mais `a sério. Ele há de retribuir, principalmente quando se está só, numa enorme sala vazia.

Hoje a sala parece mais escura porque o dia está muito claro lá fora. Acendo duas luzes extras. Elas não vão me bronzear. Em 2007, eu fechava os olhos, em prece, me imaginando numa sala branca de ensaio, sozinho, ensaiando o Talvez. Era um pedido. E agora eu to aqui, na sala, sozinho, escondido dentro desse armário ou cantando músicas velhas. ´E diferente da sala da reza mas é uma sala.

Ensaiando sozinho, você pode ficar sete horas em uma única frase e ainda assim não descobrir como ela é, como ela sai, escorrega. Dói.

Nenhum comentário:

Postar um comentário